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Fernão de Magalhães antes de ser famoso | 6ª Com Ciência

Fernão de Magalhães será objeto do próximo 6ª Com Ciência no Centro Ciência Viva de Lagos no dia 27 de Abril às 20:30. Esta conversa, gratuita e dirigida ao público em geral, incidirá sobretudo nos aspetos menos conhecidos e caricatos da vida deste descobridor português.

Em 2019 cumprem-se cinco séculos sobre a data da partida de Fernão de Magalhães de Sevilha, no comando da expedição que completaria a primeira viagem de circum-navegação.

Dois anos antes, o fidalgo português abandonara Portugal em conflito aberto com el-rei D. Manuel I, que lhe recusara a recompensa solicitada pelos muitos anos de serviços dedicados à coroa lusitana. Nos anos seguintes, Magalhães iria procurar o patrocínio de Carlos I de Espanha para o seu projeto de alcançar as ilhas orientais das especiarias por uma rota ocidental, evitando navegar nas zonas que o Tratado de Tordesilhas decretara de influência portuguesa. Tratava-se, nem mais nem menos, de retomar o projeto de Cristóvão Colombo, mas agora com novas bases, e a partir de um conhecimento europeu, e sobretudo português, da geografia da Ásia mais oriental. 

Os anos espanhóis da vida de Magalhães, desde a chegada a Sevilha em 1517 até à sua morte na longínqua ilha de Mactan, nas Filipinas, três anos e meio mais tarde, estão extremamente bem documentados, pois associam-se à primeira viagem em torno do globo terrestre, um dos eventos mais marcantes do século XVI. Mas a presente palestra aponta para o lado obscuro do percurso do grande navegador, isto é, tentar traçar um quadro sintético, informado e atualizado da biografia de Fernão de Magalhães antes da sua chegada a Espanha. O que não é tarefa fácil, como é sabido, pois, tal como aconteceu com muitos outros portugueses que foram protagonistas das grandes navegações quatrocentistas e quinhentistas (como Gil Eanes, Diogo Cão, Bartolomeu Dias ou Pedro Álvares Cabral), a vida de Magalhães quase não deixou rasto na documentação coetânea anterior a 1517. E tratava-se de um personagem menor, da pequena nobreza lusitana, sem especial destaque ou relevância social que chamasse a atenção de relatores ou cronistas.

  

Rui Loureiro: Natural do Porto, é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1979) e doutorado em História da Expansão Portuguesa (1995) pela Universidade de Lisboa. Especializou-se na história dos contactos dos portugueses com o mundo asiático nos séculos XVI e XVII, tendo publicado mais de uma centena de trabalhos de investigação, entre livros, artigos e comunicações. A sua obra mais recente é uma edição crítica da «Suma Oriental» de Tomé Pires (Lisboa, 2018). Coordenou a equipa que concebeu e instalou o CCV de Lagos. É investigador integrado do CHAM, Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e membro da Academia da Marinha. É também diretor científico e pedagógico do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão.

 

Notícia criada em 25-04-2018 23:46 | Imprimir Notícia

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